O Departamento de Justiça dos EUA desrespeitou abertamente Trump? Samouiri pode ter confiscado 6,3 milhões de dólares em Bitcoin ou já ter sido vendido secretamente
2026 年 1 月 5 日,多家加密货币媒体报道称,美国司法部可能已通过法警局,秘密出售了从隐私钱包 Samourai Wallet 联合创始人 Keonne Rodriguez 和 William Lonergan Hill 处没收的约 57.55 枚比特币,价值约 630 万美元。
Este ato foi considerado potencialmente uma violação direta da Ordem Executiva nº 14233, assinada anteriormente pelo Presidente Trump, que exige que as agências federais incluam os bitcoins apreendidos como “Bitcoins do Governo dos EUA” na reserva estratégica de bitcoins dos Estados Unidos, proibindo sua venda arbitrária. No entanto, análises aprofundadas de dados na cadeia mostram que esses bitcoins realmente entraram no endereço de custódia Coinbase Prime, mas a blockchain não fornece provas concretas de que tenham sido vendidos. Essa controvérsia entre “vestígios na cadeia” e “ordem executiva” não só diz respeito à gestão de um ativo, mas também revela profundas divergências e disputas internas no sistema de justiça dos EUA quanto às políticas de ativos criptográficos.
Rastreamento na cadeia: o mistério do “desaparecimento” e “não venda” de US$ 630 milhões em bitcoins
A origem do evento remonta a 3 de novembro de 2025. Segundo um documento exclusivo obtido pela revista Bitcoin, intitulado “Acordo de Liquidação de Ativos”, os dois fundadores do Samourai Wallet concordaram, em um acordo de confissão de culpa, em transferir bitcoins no valor de US$ 6.367.139,69 — ou seja, 57.55353033 bitcoins na época — para a polícia federal dos EUA. Dados na cadeia registram claramente a movimentação desse ativo: naquele dia, esses bitcoins saíram do endereço bc1q4pntkz06z7xxvdcers09cyjqz5gf8ut4pua22r (marcado como relacionado ao caso de apreensão do Samourai).
O ponto crucial foi o endereço de recebimento. Esses ativos não entraram diretamente na carteira controlada pelo governo dos EUA, mas foram transferidos para um endereço marcado como Coinbase Prime Deposit pelo plataforma de análise de cadeia Arkham Intel, 3Lz5ULL7nG7vv6nwc8kNnbjDmSnawKS3n8. Coinbase Prime é o serviço de custódia e negociação de alta gama voltado para clientes institucionais. Logo após, os fundos foram rapidamente “limpos” desse endereço para outro endereço também marcado como Coinbase Prime, 1AaFQ…, e finalmente integrados ao grande cluster de custódia Coinbase Prime, contendo milhares de endereços. Assim, o rastro visível na blockchain praticamente desaparece.
Relatos da mídia que cobriram o caso, baseando-se na observação de que o saldo do endereço de depósito original era zero, inferiram que os bitcoins já haviam sido vendidos. Contudo, analistas especializados em cadeia apontam que essa é justamente uma prática padrão de plataformas de custódia. Para segurança e eficiência na gestão, essas plataformas periodicamente consolidam ativos de clientes de endereços de entrada em carteiras de armazenamento frio e quente mais centrais. Um saldo zero indica apenas que os fundos foram transferidos, não que tenham sido convertidos ou vendidos. Mais importante, plataformas como Coinbase Prime realizam trocas entre bitcoin e dólares em seus sistemas de contabilidade off-chain. As transações, liquidações e transferências fiduciárias não aparecem diretamente na blockchain. Assim, com base apenas nos dados da cadeia, só podemos confirmar que “o ativo entrou na custódia regulamentada”, não que “foi vendido pelo governo”.
Vestígios na cadeia de apreensão de bitcoins do Samourai
Base da apreensão: conforme acordo de confissão de culpa, com base no Título 18 do Código dos EUA, Seção 982(a)(1).
Data da transferência: 3 de novembro de 2025.
Quantidade transferida: 57.55353033 bitcoins (valor na época aproximadamente US$ 6.367.139,69).
Endereço de origem: bc1q4pntkz06z7xxvdcers09cyjqz5gf8ut4pua22r (relacionado ao caso Samourai).
Primeiro endereço de recebimento: 3Lz5ULL7nG7vv6nwc8kNnbjDmSnawKS3n8 (marcado como Coinbase Prime Deposit pela Arkham).
Características principais na cadeia: fundos posteriormente consolidados no cluster de custódia Coinbase Prime, sem movimentação para carteiras de hot wallet de exchanges conhecidas ou endereços de liquidação.
Conclusão verificável na cadeia: ativo entrou na custódia Coinbase Prime, não é possível verificar se foi vendido.
Linha vermelha legal: essa transação viola a ordem executiva de Trump?
Independentemente da suficiência das provas na cadeia, o ponto central de controvérsia é se essa operação viola a mais alta ordem executiva — a Ordem Executiva nº 14233, assinada pelo Presidente Trump. Essa ordem visa criar uma “reserva estratégica de bitcoins dos EUA” e estabelece regras claras sobre a origem e o destino dos fundos. Ela define que bitcoins obtidos por processos de apreensão criminal ou civil são “bitcoins do governo” e ordena explicitamente: “As responsáveis pelas agências não devem vender ou de outra forma dispor de quaisquer ativos digitais do governo”, salvo em circunstâncias específicas e com decisão do Procurador-Geral.
Do ponto de vista legal, os bitcoins apreendidos no caso Samourai se enquadram na definição de “bitcoins do governo”. Provenientes de uma apreensão criminal, a própria origem do ativo é de uma condenação por crime. Assim, de acordo com a literalidade da ordem, o destino correto desses ativos seria sua transferência para uma conta de reserva estratégica sob gestão do Tesouro, e não sua liquidação por qualquer canal. Se, de fato, a polícia federal dos EUA ordenou a Coinbase Prime a venda desses bitcoins em 3 de novembro, isso representaria uma violação flagrante da ordem executiva.
Por outro lado, a realidade jurídica costuma ser mais complexa do que o texto. Confirmar uma “violação” requer ir além das provas na cadeia e incluir: ordens judiciais de disposição de ativos, registros de gestão de ativos pela polícia federal, e documentos de execução e liquidação fornecidos pela Coinbase Prime. Essas informações não são públicas. Relatórios que apoiam a tese de “venda” citam supostos “acordos de liquidação de ativos”, sugerindo que a venda fazia parte do procedimento. Mas isso ainda não constitui prova definitiva de venda. Uma outra hipótese é que os ativos tenham sido transferidos para Coinbase Prime apenas para fins de “custódia”, aguardando uma transferência formal para a reserva estratégica. Sem documentos oficiais, ambas as possibilidades permanecem.
A essência dessa controvérsia é um retrato das disputas internas entre diferentes poderes e ideologias no governo federal dos EUA. O caso do Samourai Wallet começou na administração anterior, com uma postura hostil a ferramentas não custodiais. Apesar de o governo Trump ter revertido a política por meio de ordens executivas e memorandos do Departamento de Justiça (como será mencionado abaixo), os promotores e escritórios envolvidos podem ainda seguir uma mentalidade antiga, vendo bitcoin como uma “mercadoria proibida” que deve ser rapidamente removida do balanço do governo, e não como um ativo estratégico. O papel do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York nesse contexto é especialmente relevante.
“Zona de soberania de Nova York”: uma jurisdição não controlada?
Para entender a lógica mais profunda do caso, é preciso olhar para o tribunal responsável — o Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Conhecido por sua forte autonomia e postura agressiva, esse tribunal é muitas vezes chamado de “zona de soberania de Nova York”. Ele já adotou ações que divergem da política geral do governo federal em casos envolvendo criptomoedas, finanças e alta tecnologia, demonstrando uma espécie de “reino independente”.
O caso do Samourai é um exemplo clássico. Em 7 de abril de 2025, o vice-diretor do Departamento de Justiça, Todd Blanche, publicou um memorando intitulado “Encerrando a regulação por meio de acusações”, que afirma que “o Departamento de Justiça não perseguirá mais exchanges de criptomoedas, serviços de mistura ou carteiras offline apenas por ações de seus usuários finais”. Essa orientação, amplamente interpretada como uma tentativa de mostrar boa vontade ao setor de criptografia e limitar ações excessivas, parece não ter sido levada a sério pelos promotores do Distrito Sul. Eles continuam processando os fundadores do Samourai Wallet e, anteriormente, assumiram casos semelhantes contra o desenvolvedor do Tornado Cash, Roman Storm.
E há evidências mais contundentes no próprio andamento do processo. Segundo relatos, documentos obtidos por meio de “moções de Brady” mostram que dois altos funcionários do FinCEN, a agência de combate ao crime financeiro do Departamento do Tesouro, “sugeriram fortemente” que, devido à natureza não custodial do Samourai Wallet, ela talvez não constituísse um serviço de transmissão de moeda. Ainda assim, os promotores do Distrito Sul ignoraram essa opinião interna de órgãos reguladores especializados e seguiram com a acusação. Essa desconsideração às orientações superiores e às opiniões técnicas internas evidencia a posição especial e o estilo de atuação daquele tribunal.
Portanto, mesmo com uma ordem executiva clara de Trump, a motivação ou a obrigação do Distrito Sul e de seus escritórios de polícia federal de cumprir imediatamente essa ordem é questionável. Para eles, a “limpeza” dos ativos de criminosos pode ter prioridade maior do que seguir uma nova política de reserva estratégica de bitcoins. Essas tensões e atrasos internos representam um aspecto crucial para entender como as políticas de criptomoedas se concretizam nos EUA. Elas mostram que o fim de uma “guerra” não se dá apenas com uma assinatura presidencial; a mudança real exige tempo e força de vontade mais forte.
O fim da guerra das criptomoedas? Uma reflexão sobre gestão de ativos e integridade política
A incerteza sobre o destino dos bitcoins apreendidos pelo Samourai aponta para uma questão maior, que interessa à comunidade cripto: a promessa do governo Trump de “acabar com a guerra contra as criptomoedas” está sendo realmente cumprida? Eleitores e profissionais do setor que apoiaram Trump em 2024, por sua postura pró-cripto, observam de perto esses casos, vendo-os como testes de credibilidade das novas políticas.
O governo Trump enviou sinais claros de apoio às criptomoedas: a Ordem nº 14233 visa nacionalizar os ativos de bitcoin; o memorando do Departamento de Justiça pede o fim de acusações indiscriminadas contra desenvolvedores; e o próprio presidente já mencionou a possibilidade de perdoar um dos fundadores do Samourai, Keonne Rodriguez. Essas ações delineiam uma estratégia de acolhimento à inovação, considerando o bitcoin como um ativo estratégico.
Por outro lado, as ações do Distrito Sul (e a possível venda desses ativos) parecem ser um remendo na “tela de fundo”. Elas demonstram que o sistema burocrático antigo e a inércia judicial ainda são fortes, podendo atrasar ou impedir a implementação de novas políticas. Para o setor de criptografia, o mais assustador não é um inimigo declarado, mas aqueles que falam em apoio, mas na prática continuam atuando como inimigos. Essa desconexão entre discurso e ação prejudica a confiança do mercado na previsibilidade regulatória.
Assim, o desfecho dessa controvérsia terá um significado simbólico forte. Se o governo ou o Departamento de Justiça intervirem, esclarecendo que os bitcoins não foram vendidos, ou responsabilizando quem violou a ordem, e oficializando sua inclusão na reserva estratégica, será uma forte afirmação de autoridade. Caso contrário, se o caso for deixado de lado ou se for confirmado que a venda ocorreu sem punição, a credibilidade da ordem executiva e a narrativa de “fim da guerra” ficarão seriamente comprometidas.
No final, a disputa envolvendo 57,55 bitcoins, que valem muito mais do que US$ 630 milhões, é uma prova de fogo para a política de criptomoedas dos EUA. É uma janela para as disputas internas, uma avaliação da capacidade de coordenação do governo federal e um teste de vontade política do presidente, que tenta usar o setor como ferramenta política. Para o mercado global de criptomoedas, o desfecho dessa história terá impacto equivalente a qualquer dado macroeconômico importante.
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O Departamento de Justiça dos EUA desrespeitou abertamente Trump? Samouiri pode ter confiscado 6,3 milhões de dólares em Bitcoin ou já ter sido vendido secretamente
2026 年 1 月 5 日,多家加密货币媒体报道称,美国司法部可能已通过法警局,秘密出售了从隐私钱包 Samourai Wallet 联合创始人 Keonne Rodriguez 和 William Lonergan Hill 处没收的约 57.55 枚比特币,价值约 630 万美元。
Este ato foi considerado potencialmente uma violação direta da Ordem Executiva nº 14233, assinada anteriormente pelo Presidente Trump, que exige que as agências federais incluam os bitcoins apreendidos como “Bitcoins do Governo dos EUA” na reserva estratégica de bitcoins dos Estados Unidos, proibindo sua venda arbitrária. No entanto, análises aprofundadas de dados na cadeia mostram que esses bitcoins realmente entraram no endereço de custódia Coinbase Prime, mas a blockchain não fornece provas concretas de que tenham sido vendidos. Essa controvérsia entre “vestígios na cadeia” e “ordem executiva” não só diz respeito à gestão de um ativo, mas também revela profundas divergências e disputas internas no sistema de justiça dos EUA quanto às políticas de ativos criptográficos.
Rastreamento na cadeia: o mistério do “desaparecimento” e “não venda” de US$ 630 milhões em bitcoins
A origem do evento remonta a 3 de novembro de 2025. Segundo um documento exclusivo obtido pela revista Bitcoin, intitulado “Acordo de Liquidação de Ativos”, os dois fundadores do Samourai Wallet concordaram, em um acordo de confissão de culpa, em transferir bitcoins no valor de US$ 6.367.139,69 — ou seja, 57.55353033 bitcoins na época — para a polícia federal dos EUA. Dados na cadeia registram claramente a movimentação desse ativo: naquele dia, esses bitcoins saíram do endereço bc1q4pntkz06z7xxvdcers09cyjqz5gf8ut4pua22r (marcado como relacionado ao caso de apreensão do Samourai).
O ponto crucial foi o endereço de recebimento. Esses ativos não entraram diretamente na carteira controlada pelo governo dos EUA, mas foram transferidos para um endereço marcado como Coinbase Prime Deposit pelo plataforma de análise de cadeia Arkham Intel, 3Lz5ULL7nG7vv6nwc8kNnbjDmSnawKS3n8. Coinbase Prime é o serviço de custódia e negociação de alta gama voltado para clientes institucionais. Logo após, os fundos foram rapidamente “limpos” desse endereço para outro endereço também marcado como Coinbase Prime, 1AaFQ…, e finalmente integrados ao grande cluster de custódia Coinbase Prime, contendo milhares de endereços. Assim, o rastro visível na blockchain praticamente desaparece.
Relatos da mídia que cobriram o caso, baseando-se na observação de que o saldo do endereço de depósito original era zero, inferiram que os bitcoins já haviam sido vendidos. Contudo, analistas especializados em cadeia apontam que essa é justamente uma prática padrão de plataformas de custódia. Para segurança e eficiência na gestão, essas plataformas periodicamente consolidam ativos de clientes de endereços de entrada em carteiras de armazenamento frio e quente mais centrais. Um saldo zero indica apenas que os fundos foram transferidos, não que tenham sido convertidos ou vendidos. Mais importante, plataformas como Coinbase Prime realizam trocas entre bitcoin e dólares em seus sistemas de contabilidade off-chain. As transações, liquidações e transferências fiduciárias não aparecem diretamente na blockchain. Assim, com base apenas nos dados da cadeia, só podemos confirmar que “o ativo entrou na custódia regulamentada”, não que “foi vendido pelo governo”.
Vestígios na cadeia de apreensão de bitcoins do Samourai
Base da apreensão: conforme acordo de confissão de culpa, com base no Título 18 do Código dos EUA, Seção 982(a)(1).
Data da transferência: 3 de novembro de 2025.
Quantidade transferida: 57.55353033 bitcoins (valor na época aproximadamente US$ 6.367.139,69).
Endereço de origem: bc1q4pntkz06z7xxvdcers09cyjqz5gf8ut4pua22r (relacionado ao caso Samourai).
Primeiro endereço de recebimento: 3Lz5ULL7nG7vv6nwc8kNnbjDmSnawKS3n8 (marcado como Coinbase Prime Deposit pela Arkham).
Características principais na cadeia: fundos posteriormente consolidados no cluster de custódia Coinbase Prime, sem movimentação para carteiras de hot wallet de exchanges conhecidas ou endereços de liquidação.
Conclusão verificável na cadeia: ativo entrou na custódia Coinbase Prime, não é possível verificar se foi vendido.
Linha vermelha legal: essa transação viola a ordem executiva de Trump?
Independentemente da suficiência das provas na cadeia, o ponto central de controvérsia é se essa operação viola a mais alta ordem executiva — a Ordem Executiva nº 14233, assinada pelo Presidente Trump. Essa ordem visa criar uma “reserva estratégica de bitcoins dos EUA” e estabelece regras claras sobre a origem e o destino dos fundos. Ela define que bitcoins obtidos por processos de apreensão criminal ou civil são “bitcoins do governo” e ordena explicitamente: “As responsáveis pelas agências não devem vender ou de outra forma dispor de quaisquer ativos digitais do governo”, salvo em circunstâncias específicas e com decisão do Procurador-Geral.
Do ponto de vista legal, os bitcoins apreendidos no caso Samourai se enquadram na definição de “bitcoins do governo”. Provenientes de uma apreensão criminal, a própria origem do ativo é de uma condenação por crime. Assim, de acordo com a literalidade da ordem, o destino correto desses ativos seria sua transferência para uma conta de reserva estratégica sob gestão do Tesouro, e não sua liquidação por qualquer canal. Se, de fato, a polícia federal dos EUA ordenou a Coinbase Prime a venda desses bitcoins em 3 de novembro, isso representaria uma violação flagrante da ordem executiva.
Por outro lado, a realidade jurídica costuma ser mais complexa do que o texto. Confirmar uma “violação” requer ir além das provas na cadeia e incluir: ordens judiciais de disposição de ativos, registros de gestão de ativos pela polícia federal, e documentos de execução e liquidação fornecidos pela Coinbase Prime. Essas informações não são públicas. Relatórios que apoiam a tese de “venda” citam supostos “acordos de liquidação de ativos”, sugerindo que a venda fazia parte do procedimento. Mas isso ainda não constitui prova definitiva de venda. Uma outra hipótese é que os ativos tenham sido transferidos para Coinbase Prime apenas para fins de “custódia”, aguardando uma transferência formal para a reserva estratégica. Sem documentos oficiais, ambas as possibilidades permanecem.
A essência dessa controvérsia é um retrato das disputas internas entre diferentes poderes e ideologias no governo federal dos EUA. O caso do Samourai Wallet começou na administração anterior, com uma postura hostil a ferramentas não custodiais. Apesar de o governo Trump ter revertido a política por meio de ordens executivas e memorandos do Departamento de Justiça (como será mencionado abaixo), os promotores e escritórios envolvidos podem ainda seguir uma mentalidade antiga, vendo bitcoin como uma “mercadoria proibida” que deve ser rapidamente removida do balanço do governo, e não como um ativo estratégico. O papel do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York nesse contexto é especialmente relevante.
“Zona de soberania de Nova York”: uma jurisdição não controlada?
Para entender a lógica mais profunda do caso, é preciso olhar para o tribunal responsável — o Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Conhecido por sua forte autonomia e postura agressiva, esse tribunal é muitas vezes chamado de “zona de soberania de Nova York”. Ele já adotou ações que divergem da política geral do governo federal em casos envolvendo criptomoedas, finanças e alta tecnologia, demonstrando uma espécie de “reino independente”.
O caso do Samourai é um exemplo clássico. Em 7 de abril de 2025, o vice-diretor do Departamento de Justiça, Todd Blanche, publicou um memorando intitulado “Encerrando a regulação por meio de acusações”, que afirma que “o Departamento de Justiça não perseguirá mais exchanges de criptomoedas, serviços de mistura ou carteiras offline apenas por ações de seus usuários finais”. Essa orientação, amplamente interpretada como uma tentativa de mostrar boa vontade ao setor de criptografia e limitar ações excessivas, parece não ter sido levada a sério pelos promotores do Distrito Sul. Eles continuam processando os fundadores do Samourai Wallet e, anteriormente, assumiram casos semelhantes contra o desenvolvedor do Tornado Cash, Roman Storm.
E há evidências mais contundentes no próprio andamento do processo. Segundo relatos, documentos obtidos por meio de “moções de Brady” mostram que dois altos funcionários do FinCEN, a agência de combate ao crime financeiro do Departamento do Tesouro, “sugeriram fortemente” que, devido à natureza não custodial do Samourai Wallet, ela talvez não constituísse um serviço de transmissão de moeda. Ainda assim, os promotores do Distrito Sul ignoraram essa opinião interna de órgãos reguladores especializados e seguiram com a acusação. Essa desconsideração às orientações superiores e às opiniões técnicas internas evidencia a posição especial e o estilo de atuação daquele tribunal.
Portanto, mesmo com uma ordem executiva clara de Trump, a motivação ou a obrigação do Distrito Sul e de seus escritórios de polícia federal de cumprir imediatamente essa ordem é questionável. Para eles, a “limpeza” dos ativos de criminosos pode ter prioridade maior do que seguir uma nova política de reserva estratégica de bitcoins. Essas tensões e atrasos internos representam um aspecto crucial para entender como as políticas de criptomoedas se concretizam nos EUA. Elas mostram que o fim de uma “guerra” não se dá apenas com uma assinatura presidencial; a mudança real exige tempo e força de vontade mais forte.
O fim da guerra das criptomoedas? Uma reflexão sobre gestão de ativos e integridade política
A incerteza sobre o destino dos bitcoins apreendidos pelo Samourai aponta para uma questão maior, que interessa à comunidade cripto: a promessa do governo Trump de “acabar com a guerra contra as criptomoedas” está sendo realmente cumprida? Eleitores e profissionais do setor que apoiaram Trump em 2024, por sua postura pró-cripto, observam de perto esses casos, vendo-os como testes de credibilidade das novas políticas.
O governo Trump enviou sinais claros de apoio às criptomoedas: a Ordem nº 14233 visa nacionalizar os ativos de bitcoin; o memorando do Departamento de Justiça pede o fim de acusações indiscriminadas contra desenvolvedores; e o próprio presidente já mencionou a possibilidade de perdoar um dos fundadores do Samourai, Keonne Rodriguez. Essas ações delineiam uma estratégia de acolhimento à inovação, considerando o bitcoin como um ativo estratégico.
Por outro lado, as ações do Distrito Sul (e a possível venda desses ativos) parecem ser um remendo na “tela de fundo”. Elas demonstram que o sistema burocrático antigo e a inércia judicial ainda são fortes, podendo atrasar ou impedir a implementação de novas políticas. Para o setor de criptografia, o mais assustador não é um inimigo declarado, mas aqueles que falam em apoio, mas na prática continuam atuando como inimigos. Essa desconexão entre discurso e ação prejudica a confiança do mercado na previsibilidade regulatória.
Assim, o desfecho dessa controvérsia terá um significado simbólico forte. Se o governo ou o Departamento de Justiça intervirem, esclarecendo que os bitcoins não foram vendidos, ou responsabilizando quem violou a ordem, e oficializando sua inclusão na reserva estratégica, será uma forte afirmação de autoridade. Caso contrário, se o caso for deixado de lado ou se for confirmado que a venda ocorreu sem punição, a credibilidade da ordem executiva e a narrativa de “fim da guerra” ficarão seriamente comprometidas.
No final, a disputa envolvendo 57,55 bitcoins, que valem muito mais do que US$ 630 milhões, é uma prova de fogo para a política de criptomoedas dos EUA. É uma janela para as disputas internas, uma avaliação da capacidade de coordenação do governo federal e um teste de vontade política do presidente, que tenta usar o setor como ferramenta política. Para o mercado global de criptomoedas, o desfecho dessa história terá impacto equivalente a qualquer dado macroeconômico importante.