De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Bureau of Economic Analysis (BEA) dos EUA, esta quarta-feira, 9 de abril, pelas 8:30 (hora local do leste), o indicador de inflação de que a Reserva Federal (Fed) mais gosta — o índice de preços PCE subjacente (core) de fevereiro — registou uma variação homóloga anual de 3,0%, enquanto o PCE total cresceu 2,8% em termos anuais; ambos corresponderam às expectativas do mercado. A inflação não parece ter piorado, mas também não arrefeceu rapidamente. O mercado avalia que este dado terá um impacto predominantemente neutro na trajetória de cortes de taxas da Fed.
(Antecedentes: o “porta-voz” da Fed alerta: a pressão inflacionária não está, na essência, resolvida; e o cessar-fogo entre EUA e Irão poderá tornar ainda mais difícil para a Fed baixar as taxas)
(Nota de contexto: Trump ordena a desagregação do Serviço Florestal dos EUA: grandes despedimentos de 3400 pessoas, corte de um terço do orçamento; o maior desastre em 121 anos)
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O ritmo de desaceleração da inflação nos EUA continua a ser titubeante. A Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgou formalmente, esta quarta-feira, 9 de abril, às 8:30 (hora local do leste), o relatório “Personal Income and Outlays” (Rendimentos e Despesas Pessoais) relativo a fevereiro de 2026. O indicador de inflação muito aguardado saiu e os resultados mostram que, apesar de não haver nova deterioração da pressão inflacionária, esta continua firme no patamar acima da meta de longo prazo de 2% da Reserva Federal (Fed).
Como um dos referenciais de inflação que mais pesa na formulação da política monetária da Reserva Federal, o índice de preços dos gastos de consumo pessoal de fevereiro (PCE) ficou totalmente dentro do previsto pelo mercado:
Ao recordar os dados de janeiro deste ano: o PCE total registou um aumento mensal de 0,3%, enquanto o core PCE subiu 0,4% no mês, o que chegou a provocar pânico no mercado com receios de uma reentrada da inflação. Agora, com a estabilização do dado de fevereiro, a ansiedade do mercado ficou temporariamente atenuada, mas o resultado também evidencia que a “persistência” da inflação continua forte; ainda há um caminho a percorrer até ao nível seguro de 2%.
Além dos índices de preços, a reportagem revela também a situação de rendimentos e despesas das pessoas nos EUA, deixando antever preocupações económicas latentes. Os dados mostram que os consumidores dos EUA estão numa fase de “ganhar menos, gastar mais”:
Para os investidores de Wall Street e das criptomoedas, que anseiam por cortes de taxas, o impacto desta “folha de resultados” é relativamente “neutro”. Como a inflação não mostra uma deterioração evidente, a Fed não será forçada a reiniciar subidas de taxas; mas, ao mesmo tempo, também não se verifica uma tendência de queda rápida, o que dá aos responsáveis da Fed motivos suficientes para continuarem a adotar uma postura de espera com “Higher for longer (manter as taxas elevadas por mais tempo)”.
Num contexto em que a geopolítica global (como os conflitos no Médio Oriente) continua a interferir nos preços do petróleo, a batalha contra a inflação certamente ainda não terminou.