Notícias Gate: a métrica do sentimento do mercado de ações dos EUA tem registado oscilações anómalas recentemente, com o nível de pânico dos investidores de retalho a atingir o valor mais alto em 20 anos. A razão entre as opções de compra/venda em baixa (put/call) da ROBO ultrapassou pela primeira vez 1,0, superando os picos de 2008, durante a crise financeira, e de 2020, durante a pandemia, o que indica um aumento significativo da procura dos investidores de retalho para se protegerem do risco de queda. Em simultâneo, o Índice CNN de Medo e Ganância desceu para 23, aproximando-se da zona de “medo extremo”, com a preferência pelo risco do mercado a contrair-se de forma evidente.
O mais relevante, porém, é que as posições compridas/vendidas a descoberto ao nível institucional também se intensificaram em paralelo. Os dados mostram que o valor médio das posições vendidas a descoberto no S&P 500 subiu para cerca de 3,7%, atingindo uma máxima de 11 anos; a proporção de posições vendidas a descoberto no Nasdaq 100 e no Russell 2000 também atingiu máximas de 6 anos e de 15 anos, respetivamente. Esta subida sincronizada da alocação a descoberto em múltiplos índices só ocorreu, historicamente, em fases de risco sistémico, como a crise da dívida europeia, refletindo que o pessimismo do mercado se espalhou por todos os sectores.
Entretanto, a intensidade das vendas a descoberto por parte de fundos de cobertura atingiu níveis extremos nos últimos anos. A razão entre vendas a descoberto e compras (long) no mercado global de ações chega a 7,6:1, sugerindo que os investidores institucionais estão a acelerar as apostas num recuo do mercado. O pânico dos investidores de retalho, o aumento do curto por parte das instituições e a convergência das métricas de sentimento estão a fazer com que a estrutura do mercado apresente características altamente assimétricas.
Neste contexto, o risco potencial de um “aperto de shorts” está a acumular-se. Se surgirem catalisadores como boas notícias de política ou um alívio nas tensões geopolíticas, poderá despoletar o fecho concentrado das posições vendidas a descoberto, impulsionando uma rápida retoma dos índices. No entanto, neste momento o mercado ainda carece de sinais claros de viragem, e os investidores encontram-se, de forma geral, na expectativa.
Analistas referem que a questão-chave é perceber se o medo atual está a ser motivado pela deterioração dos fundamentos ou se decorre de um efeito de amplificação excessivo do sentimento. Se o ambiente macro melhorar posteriormente, por exemplo com uma suavização das relações entre os EUA e o Irão, isso poderá tornar-se uma variável importante para inverter as expectativas do mercado. Até lá, o mercado de ações dos EUA poderá continuar a operar com elevada volatilidade e incerteza.