As propostas de regulamentos de gestão de fluxos de capital da África do Sul para 2026 introduzem exigências rigorosas para viajantes que entram ou saem da África do Sul com criptomoedas.
Principais destaques
Viajar para a África do Sul com uma carteira digital poderia em breve envolver mais do que apenas uma passagem rápida pela alfândega. De acordo com o recém-divulgado Draft Capital Flow Management Regulations 2026 (Regulamentos de Gestão de Fluxos de Capital de 2026), o National Treasury (Tesouro Nacional) propôs uma postura linha-dura sobre ativos cripto, exigindo que todos os visitantes declarem suas posses e concedendo aos oficiais de fronteira poderes amplos para realizar operações invasivas de “busca e apreensão”.
O rascunho de regulamentos, publicado em abril de 2026 para substituir as envelhecidas Exchange Control Regulations of 1961 (Regulamentações de Controle de Câmbio de 1961), reclassifica oficialmente os ativos cripto como “capital”. Essa mudança jurídica coloca as moedas digitais sob o mesmo nível de rigor estrito aplicado ao ouro e à moeda física estrangeira.
Para viajantes, a mudança mais significativa é a divulgação obrigatória de ativos cripto. Segundo o rascunho, qualquer pessoa que entre ou saia da República deve declarar os ativos cripto que esteja em sua posse ou sob seu controle.
Diferente de uma mala física de dinheiro, ativos cripto frequentemente ficam armazenados em smartphones, carteiras de hardware ou na nuvem. O rascunho de regulamentos aborda isso exigindo que os viajantes apresentem, a pedido, qualquer “dispositivo ou dado” que possa armazenar ou facilitar a transferência desses ativos. Deixar de declarar pode resultar em acusações criminais, multas altas de até 1 milhão rand ou prisão por até cinco anos.
Para fazer cumprir essas regras, o rascunho concede aos oficiais de alfândega e a funcionários autorizados amplas autoridades que geraram preocupações imediatas com privacidade. Além de buscar a bagagem ou os veículos de pessoas suspeitas de infringir as regras de fluxos de capital, o rascunho de regulamentos permite que as autoridades exijam acesso a dispositivos eletrônicos. Se um oficial suspeitar que um viajante está “exportando” ou “importando” criptomoedas sem permissão, ele está autorizado a apreender o dispositivo e os ativos dentro dele.
Quaisquer ativos cripto não declarados ou aqueles suspeitos de serem movidos em violação à lei podem ser apreendidos e potencialmente perdidos em favor do Estado.
Funcionários do Tesouro sustentam que essas medidas são um pré-requisito vital para modernizar a arquitetura financeira do país e desmontar os canais usados para fluxos financeiros ilícitos. A reforma regulatória também serve como uma resposta direta a uma decisão dura da High Court (Alta Corte) que repreendeu o South African Reserve Bank (Banco de Reserva da África do Sul) por sua dependência de estatutos antiquados, anteriores ao ambiente digital.
Defensores da privacidade e entusiastas de cripto levantaram alertas sobre como a “posse” será definida em uma fronteira, dado que a cripto existe em um blockchain global em vez de em um dispositivo físico. Também há preocupações quanto ao caráter “invasivo” de forçar viajantes a desbloquear dispositivos privados para provar o valor dos portfólios digitais.
O National Treasury convidou o público a enviar comentários sobre esses rascunhos de regulamentos. As partes interessadas e cidadãos preocupados têm até 10 de junho de 2026 para fornecer feedback antes que os regulamentos sejam finalizados e sancionados como lei.
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